PROFETAS LOCAIS
Seja bem-vindo ao caos da vida noturna
De tochas pujantes e escuras esquinas
Seja abordado por nobres embriagados
De vigorosos abraços tartufos
Venda-se ao preço de sete moedas
Prostitua-se neste hiante meretrício
Em que há cegos em toda parte
E todos ouvem um violento vozerio
Entre e bebe a vontade!
- diz a tábua pintada na porta –
Goze, lamente, e daqui seja escorraçado
Experimente um prato de pranto
Tudo é lindo e falso!
Mas em meio a transeuntes mal vestidos
Jazem os profetas locais
Corja de loucos como dizia o cafetão
O menos formoso deles lidera um pequeno grupo
De prostitutas, mendigos e trabalhadores marginalizados.
Questionado sobre o que ali fazia, um carpinteiro responde com olhar bondoso:
- Eu vim para que tenham vida em abundância.
Servo deste, Evandro Sudré – 01 de novembro 2006