A BATALHA ESPIRITUAL NA PRÁTICA

A batalha espiritual na prática

1. Ao ouvirmos relatos de como a igreja, na sua história, tem lidado com Satanás e o demoníaco, nós constatamos que:

a. Há similaridades marcantes entre o que acontecia na história da igreja primitiva e o que acontece em encontros demoníacos e de libertação hoje.

b. A libertação dos poderes satânicos e demoníacos e sua influência na igreja primitiva eram sinais usados como prova da ressurreição e da veracidade das afirmações de Cristo pelos pais da igreja.

c. A preparação para o batismo incluía, além do arrependimento, a renúncia ao Diabo e às alianças demoníacas e religiosas anteriores na vida do convertido. Esta prática continua em algumas igrejas até hoje.

d. A não-disposição ou incapacidade da igreja ocidental contemporânea para acreditar na realidade das crenças espirituais e de se engajar no batalha espiritual surgiu de uma visão de mundo falha, influenciada pelo Iluminismo, e não é representativa da totalidade da história da igreja em relação ao batalha espiritual, nem tem sido característica do cristianismo no Mundo dos Dois Terços na história contemporânea.

e. Todo cristão tem acesso à autoridade de Cristo, e os demônios reconhecem o poder de Cristo quando exercido por cristãos.

f. A história do evangelismo está repleta de exemplos nos quais a resposta ao evangelho era acompanhada por “encontros de poder”; estes, no entanto, nunca são, em e por si mesmos, garantia de uma resposta positiva.

g. A história da igreja também aponta para uma conexão entre idolatria e o demoníaco.

2. Trabalhar para conquistar fortalezas positivas para Deus através de uma “invasão amável”, que vence o mal com o bem e conquista as pessoas pelo amor, é tão importante quanto destruir as fortalezas satânicas. Afirmamos, assim, a importância e a primazia da igreja local e de sua vida de fé.

3. Adoração é batalha espiritual. Ela não é agressiva, uma batalha espiritual espetacular; não é uma estratégia nem um meio para atingir determinado fim; mas envolve mente, corpo e espírito respondendo com tudo aquilo que somos a tudo aquilo que Deus é.

4. A batalha espiritual é algo arriscado e muitas vezes custoso. Ao mesmo tempo que há vitórias, também há muitas vezes uma retaliação do Diabo em várias formas de ataque, como doença e perseguição. Contudo nós não recuamos diante da batalha espiritual, visto que evitá-la tem um custo para o Reino de Deus.

5. O ministério da batalha espiritual está alicerçado no poder transformador dos relacionamentos, não em técnicas ou métodos.

6. O ponto de partida para a batalha espiritual é a nossa relação com Jesus e o ouvir o Espírito Santo.

7. Afirmamos a complexidade da pessoa humana. Precisamos distinguir o psicológico do espiritual quando se trata de ministério e aconselhamento. Ministros de libertação e conselheiros psicólogos muitas vezes não conseguem perceber esta distinção; essa é uma falha que pode causar danos.

8. A santidade é central na resposta cristã ao mal:

a. No exercício da autoridade espiritual, aqueles que não dão a devida atenção ao caráter e à santidade mutilam com isso todo o panorama bíblico de crescimento espiritual e santificação.

b. Praticar batalha espiritual sem a devida atenção à santidade pessoal é um convite ao desastre.

c. A busca pela santidade não se aplica unicamente ao indivíduo, mas à família, à igreja local e à grande comunidade da fé.

d. Ao mesmo tempo que a santidade inclui a piedade pessoal, ela se aplica igualmente às relações sociais.

9. Ocupar-se com o Diabo não é trabalho para heróis. Quem se engaja neste ministério precisa procurar suporte de um grupo de intercessores.

10. O acompanhamento posterior aos indivíduos que experimentaram a libertação através do batalha espiritual deve ser uma parte inseparável do ministério. A igreja local deve ser encorajada a integrar as pessoas na comunidade cristã e a discipulá-las. Não providenciar isso é pecado.

11. Ouvimos, com tristeza, histórias de pessoas que, incentivadas por sua auto-confiança e motivadas pelo dinheiro, vêm de fora e atropelam os cristãos locais, realizando um ministério de batalha espiritual irresponsável (1) que pressupõe um conhecimento superior sobre a realidade local; (2) que trata os cristãos locais como inferiores ou ignorantes; (3) que reivindica crédito por coisas pelas quais os cristãos locais vinham orando e trabalhando há anos; e (4) que deixa resultados escabrosos e muitas vezes dor, alienação e até mesmo perseguição contra a igreja local, e ainda assim reivindicam grande vitória.

12. A batalha espiritual envolve mais do que um inimigo – ela precisa abranger a carne, o Diabo e o mundo:

a. Vemos, alarmados, males sociais como injustiça, pobreza, etnocentrismo, racismo, genocídio, violência, abusos contra o meio ambiente, guerras, assim como a violência, a pornografia e o ocultismo na mídia.

b. Estes males sociais são encorajados e mantidos por instituições humanas nas quais os principados e potestades agem contra Deus e seu propósito para a humanidade.

c. A tarefa da igreja no combate aos principados e potestades no contexto sociopolítico consiste em desmascarar as pretensões idólatras destes, identificar seus valores e ações desumanizadoras e lutar pela libertação de suas vítimas. Este trabalho envolve ações espirituais, políticas e sociais.

d. Não se consegue encontrar uma fundamentação bíblica para a construção de estruturas hierárquicas elaboradas do mundo espiritual.

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